domingo, 20 de maio de 2012

Àquele que...

Àquele que, mesmo de lábios cerrados tudo diz e, beija as minhas orquestradas palavras de tão bem querer.
Àquele que, mesmo quando nas minhas lágrimas não consegue tocar, absorve-as com o seu olhar.
Àquele que abre os braços para me "recriminar" pelo seu amor...
É aquele que faz o seu sorriso percorrer kilómetros e ao chegar a mim, despir-me da racionalidade trajada.
É com esse sorriso em mente que me levanto e volto a deitar, ansiando o passar de mais uma breve noite e um longo dia...
Recordo e anseio todos os momentos em silêncio, nunca vão, que partilhamos. Eu mergulhada nos teus olhos cor de mar e tu dos meus negros de azeitona, bebendo deles o azeite que por ti choram, antes de mais uma partida.
Antes de mais uma partida, há sempre uma chegada e, para nós é essa a derradeira loucura da nossa alma e corpo.
Loucos, sim. Porque és navegante sem carta e eu o mar e, tal como o vento te guia, eu por ele me deixo acariciar.
Pelo quebrar das ondas consegues escutar a galopante saudade do meu coração. Não tenhas medo de navegar, eu sou mar e o nosso porto vamos alcançar.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A descoberta

Chegaste e desenterraste o que há tanto tempo se julgava perdido, da esperança espalhada pelo chão, que todos os dias, recusava recolher.
Tuas palavras despertam as almas dos cépticos e tornam os descrentes teus seguidores!
Teus beijos são a fé de quem tem sede de vida e teus abraços, a cama de quem percorreu anos de dor quase infinita.
O teu olhar no meu, dão o brilho às estrelas...e, a tua mão na minha, conquistam léguas de felicidade!
Trouxeste-me de novo a vida com a flor que naquele dia me ofereceste. Do beijo que me deste, renasceu o amor.
Caminhamos juntos sobre o fogo, eu sei.
Se tropeçarmos, levantamo-nos, se nos queimar-mos, cuidaremos dessa dor.
Assim prometemos nunca desistir deste amor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quando pensava que eras, apenas foste!
Desesperei por não te ver, gritei por me perder.
Caminhava pela pegada dos teus passos, guiada até ao abismo.
Jurava ver o caminho...pobre de mim, perdida na ilusão.
Da lanterna acesa nessas horas, beijos frios e de alma arrefecida trocamos.
Do furor dos encontro de outros dias, horas desgastadas pelo desvalorizado sentimento fazem-se sentir.
Perdeste ou largaste?
Soltaste o que a ti não querias prender.
Desprezadas as esperanças, nada resta.
Jaz assim, teu toque, teu perfume, a podridão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vamos de encontro a nós!

Shhhhh.....Escuta o silêncio. Olha-me nos olhos. Toca-me na alma. Beija-me as mão como se delas bebesses a água que te alimenta o corpo. Compactuemos neste silêncio que só a nós nos pertence.
Ninguém nos ouve, ninguém nos vê e só tu sentes o meu doce desejo de te beijar.
Enxagua-me as lágrimas corrompidas pelo odor da traição. Ninguém segrega acerca de nós. Só eu murmuro ao teu ouvido. Só tu ouves o gritar da minha vontade de te encontrar, aprisionada.
Não digas nada. Não repitas o que te eu digo...sente, apenas. Sente e faz-me sentir que os dias de sol existem, acariciam-me a face e aquecem-me o coração.
Demos aos mãos, deixemo-nos conduzir pelo incerto do destino. Este é o nosso percurso e hoje começa o nosso dia. De glória ou desatino, só para além das nuvens e abaixo das marés se sabe. Do resto, só o vento e o perfume que nos rouba o sentido do real nos guia.
Vamos! Se afundarmos, erguemos! Se cairmos, voamos! Para além do que é teu, do que é meu. Vamos de encontro a nós!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não somos mais do que pó

Na hora da verdade não somos mais que pó. Pó calcado, pó que se levanta com a fúria do vento, pó que nos impede de ver mais além ou só nos permite ver o que ele quer.
Pó que se torna lama quando chove ou quando se apaixona.
Não somos mais do que pó...cegos, surdos e mudos. Iludidos da clareza do nosso ser. Imundos de mentira da verdade que julgamos conhecer.
Eu sou, tu és e ele nunca foi!
Ele nunca te permitiu ser o separador daquela página. Nele, és só mais uma... página!
No livro que fazemos de conta ler, todas as palavras obscenas de paixão, evaporam junto com o pó que esvoaça por cada vez que fechas essa história.
Se algum dia voltares a abrir esse livro, jamais encontrarás de novo aquela palavra. Não é um dicionário, onde tudo vale o mesmo, sempre. É aquele livro, do qual, apenas és mais uma... página...e estás cada vez mais pálida, sem palavras, sem anotações, sem lembranças... tudo se evaporou junto com o pó. Nunca mais te encontrarás. Não tentes ler o que já evaporou. Não procures a cegueira.
Só a morte ou o desejo, serão os separadores desse livro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Roda dos insensíveis

Quando o desespero já se entranhou nos ossos e a alma começa a corromper-se à monotonia dos dias...então, tornei-me mortal!
Sorteia-se a sorte na roda dos insensíveis. Saiu-me a senha nº 13 com acesso ao poço de lamuria de quem procura desesperadamente a glória de outros dias. Era dourada de Elizabeth. Sol nascente de quem o vê pela primeira vez. Alegria dos que tocam na neve e nada mais necessitam para se sentirem aconchegados no seu caloroso momento de felicidade.
Tudo se procura no poço e nada se encontra. Pobre, nem de água se alimenta para chorar as suas lágrimas disfarçadas pela máscara do conformismo.
É uma solidão disfarçada de quem quer sentir mais. De quem se tinha esquecido e que por momentos, se recordou do que é arriscar na sua insensibilidade.
Nada ou nada. A imparcialidade dita as regras do jogo. O tudo não assiste às regras. Chegada a hora do resultado, todos perdemos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amar-te é como fazer um pacto com o Diabo

Tocam os sinos na hora da tua chegada....essa hora de neve revolta no vento que corre para te abraçar...
Um momento. Gritam agora por ti os sinos ao repararem que não largaste o comboio que passou nesse mesmo momento. Choram batidas por essa viagem sem regresso. Escorrega no gelo o meu corpo pálido e petrificado quando ao tentar alcançar o comboio, sucumbiu.
Correr por esse comboio é correr contra mim. Negar tudo aquilo que já estava escrito no meu percurso meticulosamente desenhado. É a soma de todos os números ser igual a 0.
Sonhar que ninguém nos vê. Sonhar que te sinto respirar a meu lado enquanto sufoco por não poder tocar na tua alma e te beijar com todas as palavras que tenho para te dizer.
Palavras que não sei se algum dia serão ditas. Se algum dia vais deixar-te escutá-las. Palavras que se sentem oprimidas, como se maldosas se tratassem. Podem ser estas as palavras que não queiras ouvir...serão elas inquiridas? Terão o teu julgamento final?
Estrangulo a dor que é tê-las presas na garganta.
No fundo, amar-te é como fazer um pacto com o Diabo. Quero pactuar e, se isso significa o fim, então já morri de amores por ti. São estas as palavras que tenho para te dizer!