terça-feira, 4 de outubro de 2011

Reacender

Acendes o cigarro como quem procura a luz incessante da vida. Fumas como se inspirasses dor. Todo o fumo que te envolve e envolve o teu rosto oculta o desabafar dos teus lábios. O teu paladar modificou-se.
Procuravas o doce dos momentos....ofereces o amargo das memórias.
Os pulmões transformaste-os em canhões enobrecidos pelo teu sôfrego respirar e deles explodem as doentes cinzas de amor.
Tudo em ti ardeu e onde um dia estava acesa a chama do desejo, suja agora o pó negro esse lugar onde praticas o teu ritual de tudo eliminar.
Não te elimines. Não te deixes apagar...Deixa que a cinza se reacenda e arda até amanhã!
Deixa-te sentir, deixa-me sentir o queimar dessa chama..por esta noite. Até amanhã.

sábado, 1 de outubro de 2011

Passos de uma cor só

Deixa os sapatos à porta da entrada, amor!
Não pises o nosso chão florido de memórias....não as quero ver abafadas pelo peso da nossa caminhada mas sim alimentadas pelo orvalho dos nossos beijos!
É deste sincero florescer que caem as pétalas que enfeitam os nossos lençóis... É este puro aroma florido que te faz caminhar em direcção à mesa do jantar quando à entrada largas os teus sapatos. Caminhas como um sonâmbulo, guiado pela monocromia do teu dia e contra as paredes pareces querer esbarrar...Porque insistes em calcar o nosso chão com os pés carregados de desilusão?
De onde floria paixão crescem agora espinhos que te rasgam os pés e te fazem sentir a dor que sinto quando tento acariciar este nosso bem...
Largas pegadas sangrentas, longos passos dás na tentativa de alcançar algum cor nessa tua cegueira. Olha! Basta olhares para o que te está abaixo e crês ser o inferior. São estas as pegadas de cor de paixão que te farão encontrar o nosso bem, a cor das nossas flores, vem...encontrar-me!