quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Vamos de encontro a nós!

Shhhhh.....Escuta o silêncio. Olha-me nos olhos. Toca-me na alma. Beija-me as mão como se delas bebesses a água que te alimenta o corpo. Compactuemos neste silêncio que só a nós nos pertence.
Ninguém nos ouve, ninguém nos vê e só tu sentes o meu doce desejo de te beijar.
Enxagua-me as lágrimas corrompidas pelo odor da traição. Ninguém segrega acerca de nós. Só eu murmuro ao teu ouvido. Só tu ouves o gritar da minha vontade de te encontrar, aprisionada.
Não digas nada. Não repitas o que te eu digo...sente, apenas. Sente e faz-me sentir que os dias de sol existem, acariciam-me a face e aquecem-me o coração.
Demos aos mãos, deixemo-nos conduzir pelo incerto do destino. Este é o nosso percurso e hoje começa o nosso dia. De glória ou desatino, só para além das nuvens e abaixo das marés se sabe. Do resto, só o vento e o perfume que nos rouba o sentido do real nos guia.
Vamos! Se afundarmos, erguemos! Se cairmos, voamos! Para além do que é teu, do que é meu. Vamos de encontro a nós!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não somos mais do que pó

Na hora da verdade não somos mais que pó. Pó calcado, pó que se levanta com a fúria do vento, pó que nos impede de ver mais além ou só nos permite ver o que ele quer.
Pó que se torna lama quando chove ou quando se apaixona.
Não somos mais do que pó...cegos, surdos e mudos. Iludidos da clareza do nosso ser. Imundos de mentira da verdade que julgamos conhecer.
Eu sou, tu és e ele nunca foi!
Ele nunca te permitiu ser o separador daquela página. Nele, és só mais uma... página!
No livro que fazemos de conta ler, todas as palavras obscenas de paixão, evaporam junto com o pó que esvoaça por cada vez que fechas essa história.
Se algum dia voltares a abrir esse livro, jamais encontrarás de novo aquela palavra. Não é um dicionário, onde tudo vale o mesmo, sempre. É aquele livro, do qual, apenas és mais uma... página...e estás cada vez mais pálida, sem palavras, sem anotações, sem lembranças... tudo se evaporou junto com o pó. Nunca mais te encontrarás. Não tentes ler o que já evaporou. Não procures a cegueira.
Só a morte ou o desejo, serão os separadores desse livro.