domingo, 20 de maio de 2012

Àquele que...

Àquele que, mesmo de lábios cerrados tudo diz e, beija as minhas orquestradas palavras de tão bem querer.
Àquele que, mesmo quando nas minhas lágrimas não consegue tocar, absorve-as com o seu olhar.
Àquele que abre os braços para me "recriminar" pelo seu amor...
É aquele que faz o seu sorriso percorrer kilómetros e ao chegar a mim, despir-me da racionalidade trajada.
É com esse sorriso em mente que me levanto e volto a deitar, ansiando o passar de mais uma breve noite e um longo dia...
Recordo e anseio todos os momentos em silêncio, nunca vão, que partilhamos. Eu mergulhada nos teus olhos cor de mar e tu dos meus negros de azeitona, bebendo deles o azeite que por ti choram, antes de mais uma partida.
Antes de mais uma partida, há sempre uma chegada e, para nós é essa a derradeira loucura da nossa alma e corpo.
Loucos, sim. Porque és navegante sem carta e eu o mar e, tal como o vento te guia, eu por ele me deixo acariciar.
Pelo quebrar das ondas consegues escutar a galopante saudade do meu coração. Não tenhas medo de navegar, eu sou mar e o nosso porto vamos alcançar.