sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Roda dos insensíveis

Quando o desespero já se entranhou nos ossos e a alma começa a corromper-se à monotonia dos dias...então, tornei-me mortal!
Sorteia-se a sorte na roda dos insensíveis. Saiu-me a senha nº 13 com acesso ao poço de lamuria de quem procura desesperadamente a glória de outros dias. Era dourada de Elizabeth. Sol nascente de quem o vê pela primeira vez. Alegria dos que tocam na neve e nada mais necessitam para se sentirem aconchegados no seu caloroso momento de felicidade.
Tudo se procura no poço e nada se encontra. Pobre, nem de água se alimenta para chorar as suas lágrimas disfarçadas pela máscara do conformismo.
É uma solidão disfarçada de quem quer sentir mais. De quem se tinha esquecido e que por momentos, se recordou do que é arriscar na sua insensibilidade.
Nada ou nada. A imparcialidade dita as regras do jogo. O tudo não assiste às regras. Chegada a hora do resultado, todos perdemos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amar-te é como fazer um pacto com o Diabo

Tocam os sinos na hora da tua chegada....essa hora de neve revolta no vento que corre para te abraçar...
Um momento. Gritam agora por ti os sinos ao repararem que não largaste o comboio que passou nesse mesmo momento. Choram batidas por essa viagem sem regresso. Escorrega no gelo o meu corpo pálido e petrificado quando ao tentar alcançar o comboio, sucumbiu.
Correr por esse comboio é correr contra mim. Negar tudo aquilo que já estava escrito no meu percurso meticulosamente desenhado. É a soma de todos os números ser igual a 0.
Sonhar que ninguém nos vê. Sonhar que te sinto respirar a meu lado enquanto sufoco por não poder tocar na tua alma e te beijar com todas as palavras que tenho para te dizer.
Palavras que não sei se algum dia serão ditas. Se algum dia vais deixar-te escutá-las. Palavras que se sentem oprimidas, como se maldosas se tratassem. Podem ser estas as palavras que não queiras ouvir...serão elas inquiridas? Terão o teu julgamento final?
Estrangulo a dor que é tê-las presas na garganta.
No fundo, amar-te é como fazer um pacto com o Diabo. Quero pactuar e, se isso significa o fim, então já morri de amores por ti. São estas as palavras que tenho para te dizer!


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Pior do que esconder o sofrimento, é não poder sofrer

Pior do que esconder o sofrimento, é não poder sofrer...
É a tentativa frustrada de afogar uma dor à qual nunca foi dado o oxigénio.
Sempre respirou do pó presente nas prateleiras infinitas do tempo...prateleiras escritas de linhas passadas, linhas que tentam viver o presente e linhas que se esforçam por esquecer o futuro. Nunca conheceu outro respirar se não o inspirar, esta dor!
Inspira até não caber mais em si e só agora expirou... Expirou o tempo, expirou a vontade, expirou o sofrido peso das palavras nas prateleiras do medo. Expirou, passou de validade.
Não é mais válida para ti, continua válida para mim...Continua. Contínua dor pilar de sofrimento, és pilar de um armário, és o pilar do meu coração. Fechado, perdeu a chave do armário...ou esconde-a entre toda a água corrida pelas lágrimas que choro, na tentativa falhada de esconder o sofrimento. Porque pior do que esconder o sofrimento, é não poder sofrer.