Um momento. Gritam agora por ti os sinos ao repararem que não largaste o comboio que passou nesse mesmo momento. Choram batidas por essa viagem sem regresso. Escorrega no gelo o meu corpo pálido e petrificado quando ao tentar alcançar o comboio, sucumbiu.
Correr por esse comboio é correr contra mim. Negar tudo aquilo que já estava escrito no meu percurso meticulosamente desenhado. É a soma de todos os números ser igual a 0.
Sonhar que ninguém nos vê. Sonhar que te sinto respirar a meu lado enquanto sufoco por não poder tocar na tua alma e te beijar com todas as palavras que tenho para te dizer.
Palavras que não sei se algum dia serão ditas. Se algum dia vais deixar-te escutá-las. Palavras que se sentem oprimidas, como se maldosas se tratassem. Podem ser estas as palavras que não queiras ouvir...serão elas inquiridas? Terão o teu julgamento final?
Estrangulo a dor que é tê-las presas na garganta.
No fundo, amar-te é como fazer um pacto com o Diabo. Quero pactuar e, se isso significa o fim, então já morri de amores por ti. São estas as palavras que tenho para te dizer!
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