terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não somos mais do que pó

Na hora da verdade não somos mais que pó. Pó calcado, pó que se levanta com a fúria do vento, pó que nos impede de ver mais além ou só nos permite ver o que ele quer.
Pó que se torna lama quando chove ou quando se apaixona.
Não somos mais do que pó...cegos, surdos e mudos. Iludidos da clareza do nosso ser. Imundos de mentira da verdade que julgamos conhecer.
Eu sou, tu és e ele nunca foi!
Ele nunca te permitiu ser o separador daquela página. Nele, és só mais uma... página!
No livro que fazemos de conta ler, todas as palavras obscenas de paixão, evaporam junto com o pó que esvoaça por cada vez que fechas essa história.
Se algum dia voltares a abrir esse livro, jamais encontrarás de novo aquela palavra. Não é um dicionário, onde tudo vale o mesmo, sempre. É aquele livro, do qual, apenas és mais uma... página...e estás cada vez mais pálida, sem palavras, sem anotações, sem lembranças... tudo se evaporou junto com o pó. Nunca mais te encontrarás. Não tentes ler o que já evaporou. Não procures a cegueira.
Só a morte ou o desejo, serão os separadores desse livro.

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