terça-feira, 4 de outubro de 2011

Reacender

Acendes o cigarro como quem procura a luz incessante da vida. Fumas como se inspirasses dor. Todo o fumo que te envolve e envolve o teu rosto oculta o desabafar dos teus lábios. O teu paladar modificou-se.
Procuravas o doce dos momentos....ofereces o amargo das memórias.
Os pulmões transformaste-os em canhões enobrecidos pelo teu sôfrego respirar e deles explodem as doentes cinzas de amor.
Tudo em ti ardeu e onde um dia estava acesa a chama do desejo, suja agora o pó negro esse lugar onde praticas o teu ritual de tudo eliminar.
Não te elimines. Não te deixes apagar...Deixa que a cinza se reacenda e arda até amanhã!
Deixa-te sentir, deixa-me sentir o queimar dessa chama..por esta noite. Até amanhã.

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